segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mostras de cinema e dicas de filmes

Nas últimas semanas, estive bastante entusiasmada com as mostras de cinema que aconteceram aqui na minha cidade. Na verdade, sempre tem alguma mostra acontecendo em algum lugar menos conhecido, mas geralmente as pessoas não ficam sabendo porque não costuma ser tão divulgado, a menos que você procure se informar. A vantagem dessas mostras é que podemos ver filmes muito bem recebidos pela crítica e que já saíram de cartaz por preços reduzidos ou entrada gratuita. No mês que passou, houve o 39º Festival Sesc Melhores Filmes, em que o público e a crítica votam nos melhores filmes exibidos no ano anterior e os vencedores são exibidos. Além da exibição dos filmes, aconteceram muitas palestras e seminários sobre cinema que podem ser vistos em seu canal do youtube. Também houve uma mostra de filmes do David Lynch, que vou falar mais abaixo. Colocarei aqui os filmes todos que assisti e espero que possam servir de sugestão para os interessados em assistir filmes diferentes. 

Pina 3D (Pina, 2011)
Pina é um filme do diretor Wim Wenders homenageando a coreógrafa Pina Bausch. O filme é feito em 3D e, apesar de eu geralmente não gostar de filmes em 3D, foi realmente o melhor uso da tecnologia que eu vi. Para quem gosta de dança é obrigatório. Lindíssimo e tocante.
 Fausto (Faust,2011)
Fausto é um filme do diretor Alexandr Sokurov baseado no clássico Fausto. É um filme escuro e repleto de simbolismos. Parece que a sua reprodução foi feita em formato quadrado porque esse seria a forma mais próxima de deus. É difícil e pesado, porque vai exigir a interpretação do espectador. Recomendo para quem gosta de filmes herméticos ou para quem é seduzido pela história de Fausto. 
 L'appolonide: os amores da casa de tolerância (L'appolonide, 2011)
Filme francês que conta a história das últimas casas de prostituição da França na virada do século XIX para o XX, fazendo também um paralelo com os dias de hoje com uma trilha sonora bastante moderna. É um filme interessante porque, apesar de ter um visual bonito, ele tira completamente o glamour que ainda existia sobre esses lugares e a situação das mulheres da época.
Drive (Drive, 2011)
Drive foi a maior surpresa, pois trata-se de um filme de ação, carros e violência. Porém, sai completamente dos filmes de entretenimento tradicionais. É um filme com o enredo muito bem feito, personagens instigantes. Ou seja, é um filme sobre carros muito bem construído e isso prova que não é o tema que faz ou estraga o filme e que toda história com um enredo bem feito, com bons atores e bem dirigida pode se tornar um bom filme. 
A invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)
Eu já tinha assistido Hugo Cabret quando estava em cartaz nos cinemas e tinha gostado demais. Como estava na mostra, resolvi assistir novamente. É um filme de Martin Scorsese que conta a história de um menino que vive sozinho nos relógios em uma estação de trem e tem como objetivo consertar um autômato. Suas aventuras o conduzem a uma descoberta sobre a história do próprio cinema. 



Consegui assistir a vários filmes que gostaria, mas não a todos. Felizmente, podemos sempre encontrar esses filmes nas poucas locadoras de filmes restantes e na internet. Vou deixar aqui uma nota de que todos os filmes foram assistidos no CineSesc, na R. Augusta aqui em São Paulo, mas ficaram em exibição em todos os Sescs. Esse é meu cinema favorito, porque o preço do ingresso e pipoca é justo, a única sala é muito confortável e possui boas adaptações para deficientes.

A outra mostra que frequentei aconteceu nas duas últimas semanas na Caixa Cultural, que fica na praça da Sé. Mostra com todos os filmes do diretor surrealista David Lynch. Eu achei muita coincidência ter tido uma mostra sobre o diretor logo agora, pois desde o começo do ano estava com vontade de voltar a assistir seus filmes e cheguei a assistir todos os episódios de sua famosa série Twin Peaks e fiquei realmente obcecada nela por algum tempo. Fiquei muito feliz por poder assistir a filmes que nunca tinha visto lá. Infelizmente, não pude ver muitos porque tinha um curso durante a primeira semana e também o local é muito perigoso para ficar andando à noite. 

Primeiramente, devo dizer que David Lynch é um diretor controverso e quem vê seus filmes pela primeira vez e sem aviso prévio pode ficar um pouco chocado ou não gostar do seu trabalho. Oriundo das artes plásticas, seus filmes são surrealistas, simbolistas, com possíveis usos de questões psicológicas e nada realistas. Para ele, seus filmes não devem ser explicados, pois cada um deve ter sua própria interpretação.

Veludo Azul (Blue Velvet, 1986)
Eu fiquei muito feliz por conseguir assistir novamente a Veludo Azul. Um dos filmes do diretor que mais gostava. Nele, atua Kyle Maclachlan, que é o mesmo ator do Detetive Dale Cooper em Twin Peaks e Laura Dern. A música "Blue Velvet" embala um filme repleto de sonhos e imagens do subconsciente, desencadeado com a descoberta de uma orelha no jardim. 
Império dos Sonhos (Inland Empire, 2006)
Na minha opinião, o filme mais difícil do diretor. O filme é quase uma experiência metafísica (e metalinguística) de sonhos dentro de sonhos e filmes dentro de filmes em três horas de duração. Laura Dern interpreta uma atriz que interpreta uma personagem fazendo um filme polonês amaldiçoado. Toda a sua história é assistida na televisão pela garota perdida, uma garota polonesa que parece ser uma escrava. A história das duas personagens se misturam. 
A Estrada Perdida (Lost Highway, 1997)
Esse filme foi a melhor surpresa porque é exatamente de filmes desse tipo que gosto. É um filme com um enredo todo desmontado e com muitos simbolismos, mas a sua compreensão é possível uma vez que percebemos que não está em uma sequência cronológica. Um ciumento saxofonista recebe fitas suspeitas de sua casa sendo filmada por um desconhecido. Em seguida, é mandado para a prisão e lá transforma em um rapaz muito mais novo, mas as coisas não são o que parecem ser.  


Na mostra, também consegui assistir aos episódios de outra série dos anos 90 feita em parceria com Mark Frost, chamada de "On the air". É uma comédia muito maluca e diferente sobre a produção de um programa ao vivo. O episódio piloto é muito engraçado e recomendo, aos curiosos. O que mais gostei dessa mostra foi poder assistir em sequência diversos trabalhos do diretor e perceber que existem muitos elementos que estão presentes em quase todos os seus trabalhos e geralmente possuem o mesmo significado, como o caso do acortinado vermelho e do contraste preto/branco ou morena/loira.

***

Para os interessados em cinema, essas mostras já acabaram. Porém, sempre é possível acompanhar outras mostras de cinema. Acontecerá em várias cidades o Festival Varilux de Cinema Francês e, em São Paulo, uma exibição de filmes do Alexandr Sokurov. Espero conseguir assistir a alguns desses filmes, porque ir ao cinema é uma das atividades que mais gosto de fazer.

A propósito, fiz uma conta no Filmow, que é uma rede social para colocarmos os filmes que já assistimos. Me adicionem lá:  nereida.rede

7 comentários:

  1. Que legal Reh! Eu tbm amo cinema, meu interesse começou quando assisti com uma prima alguns filmes italianos e posteriormente na faculdade quando tive que fazer um trabalho sobre o Hitchcock, depois fui cada vez mais me apaixonando. Gosto tanto dos filmes Hollywoodianos da década de 50/60 de diretores como George Cukor e William Wyler a filmes mais alternativos como alguns italianos, japoneses e franceses...

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  2. Oi Saori. Fico feliz que começou a ver filmes assim na faculdade. Eu nunca tive aula de cinema, mas eu assistia muito a filmes no cinema da universidade, que era grátis e tinha muita coisa boa. Minha era favorita dos hollywoodianos é a de 40 e 50=) Vou procurar sobre os diretores que você mencionou, porque não me recordo sobre seus filmes. Obrigada!

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  3. Aprecio as capitais nesses momentos. :) Como eu queria mostras assim por aqui também (e bons cinemas...)!

    Eu e uma amiga fizemos uma rodada de filmes do David Lynch e até agora o meu preferido foi Blue Velvet, com certeza! O primeiro que eu assisti dele foi Mulholland Drive e fui pega de surpresa, detestei... Mas eu era bem nova e foi um dos meus primeiros contatos com o gênero. Tem filmes que a pessoa tem que saber o que esperar, senão é uma decepção.

    Quanto a Twin Peaks, é incrível! Gostei muito de assistir, e é engraçado como o filme é bem mais subjetivo do que a série.

    Adorei a postagem, como sempre.

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    1. Que bom que você gostou e conhece tanto. Parece que aqui não é tão popular quanto lá fora, que vejo todos falando de Twin Peaks. Fiquei feliz também que você teve companhia para assistir esses filmes. O primeiro que assisti foi Blue Velvet, seguido de Mulholland Drive... e acho que foram os primeiros filmes do tipo que asssisti. Na hora, me deu até vontade de ser crítica de cinema, porque eu achei tão diferente e bom! Tem que saber antes o que esperar mesmo, ou é um susto.

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  4. Amei as suas dicas de filme!!

    O terceiro e o quinto eu já estava com muita vontade de assistir e agora estou mais!

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    1. Acho que o L'appolonide é bem interessante para quem gosta de estética do século XIX mesmo=)

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  5. Já to baixando alguns!!...valeu pela dica ;)

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