segunda-feira, 23 de março de 2015

Bibliofilia: presentes de aniversário


Resolvi criar uma nova seção no meu blog para mostrar a vocês os livros que tenho comprado e dividir minha paixão por edições especiais e bonitas, porque sei que a maioria das pessoas que leem meu blog se interessam por isso. 

Na quinta-feira, dia 19, foi meu aniversário e eu fui sortuda o bastante por ganhar presentes maravilhosos de alguns amigos meus. Inclusive, um foi surpresa! Dentre os presentes, eu ganhei alguns livros muito bonitos que gostaria de mostrar a vocês: 


Dos Estados Unidos, eu recebi da minha amiga Viviane (do blog Terrarium of Dreams) um livro maravilhoso, capa dura e ilustrado: Anne of Green Gables, da L. M. Montgomery. Eu tinha essa edição do The secret garden, e agora tenho mais um para formar uma linda coleção de clássicos infanto-juvenis. Ter recebido um pacotinho da Vivi melhorou toda a minha semana e me alegrou muito, por isso, só tenho a agradecer mais uma vez! Eu já comecei a ler esse livro e tem sido a leveza da minha semana. Estou gostando bastante!

Eu também ganhei Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito, em português), do meu namorado. Escrito por Jane Austen, esse romance tem me acompanhado desde quando iniciei a faculdade e estava cansada de ler livros pesados demais. Como quero reler a obra da autora, fiquei muito feliz por ganhar uma edição tão especial, Eu venho tentando colecionar esse tipo de edição e ainda mostrarei aqui os livros dessa coleção que já tenho. 



Ah! E, por último, o presente que me dei de aniversário! Há algum tempo eu estava buscando essa edição especial que a Cosac Naify lançou no ano passado. É uma edição de luxo com nova tradução em versos da Odisseia, de Homero.

Não costumo falar sobre isso aqui no blog, mas eu sou apaixonada por obras da antiguidade clássica e foi isso que me aproximou pela primeira vez do curso de Letras. Eu tenho uma coleção de livros e eu já possuo uma linda edição da Ilíada e uma edição mediana da Odisseia. Na verdade, a minha edição da Odisseia sempre me incomodou um pouco por causa da tradução do Carlos Alberto Nunes cujos versos eu não gostava muito e por isso também quis comprar essa nova edição. Eu ainda não sei se a tradução de Christian Werner é boa e precisaria de uma opinião mais precisa de algum helenista, mas eu compararei aqui a invocação das Musas das duas edições:

Edição Cosac Naify, Chistian Werner, Canto 1:
"Do varão me narra, Musa, dos muitas-vias, que muito
vagou após devastar a sacra cidade de Troia.
De muitos homens viu urbes e a mente conheceu,
e muitas aflições sofreu ele no mar, em seu ânimo,
tentando garantir sua vida e o retorno dos companheiros."


Edição Ediouro, Carlos Alberto Nunes, Canto 1:
"Musa, reconta-me os feitos de um herói astucioso que muito
peregrinou, dês que esfez as muralhas sagradas de Troia;
muitas cidades dos homens viajou, conheceu seus costumes,
como no mar padeceu sofrimentos inúmeros na alma,
para que a vida salvasse e de seus companheiros a volta."


Pensando no livro em si, a edição especial feita pela Cosac Naify é muito bonita. Ela possui páginas e letras acobreadas, capa dura com uma luva feita com dobraduras e diversas ilustrações que dividem cada um dos cantos da Odisseia. Essa edição já está esgotada no site da livraria, mas é possível ainda encontrá-la em outras lojas. 

Fiquei muito feliz com meus presentes e pretendo mostrar mais alguns outros livros que tenho para vocês daqui a algum tempo. Espero que tenham gostado! 

domingo, 8 de março de 2015

Resenha: A Imortalidade, de Milan Kundera


"O homem pode pôr fim à sua vida; 
mas não pode pôr fim à sua imortalidade"
(A Imortalidade - pp. 99)

Escolhi A Imortalidade, de Milan Kundera, pela Companhia das Letras para resenhar porque já conhecia outras obras do autor e já havia resenhado A festa da Insignificância. A cada vez que me deparo com um livro de Kundera, sinto uma certa barreira inicial ou uma dificuldade diferente. Porque propõe uma narrativa diferente, em que os personagens se misturam com o narrador, o ficcional se mistura com o "real". 

A imortalidade conta a história do escritor que, sentado em um clube, observa uma senhora de sessenta anos saindo da piscina e fazendo um gesto jovial. Essa cena faz surgir na cabeça do escritor o romance em torno da personagem, Agnés, que costumava fazer esse gesto quando jovem. Portanto, este romance percorrerá a história de Agnès que sente o luto pela morte do pai e tenta se refugiar na Suíça. Ela é casada com Paul e tem uma filha chamada Brigitte. Outra figura importante nessa história é Laura, sua irmã mais nova que sempre tenta imitá-la. 

É nessas duas personagens que está uma oposição do romance: a razão e a paixão. Agnès e Laura. O controle emocional e o drama são as oposições de duas irmãs. Laura usa óculos escuros para que pensem que ela tem chorado muito, enquanto Agnès se envergonha dos sentimentos: 

"Quando seu pai morreu, Agnès teve que organizar o enterro.(...) essa música era horrivelmente triste e Agnès temia não conseguir reter as lágrimas durante a cerimônia. Considerando inadmissível chorar em público,pôs no seu aparelho de som uma gravação do 'Adágio' e a escutou. (...) Mas, quando soou pela outava ou nona vez na sala, o poder da música enfraqueceu e na décima terceira audição Agnès ficou tão comovida como se tocassem diante dela o hino nacional da Paraguai.". pp.229

A "imortalidade" é discutida em forma de filosofia através de dois personagens ilustres, Goethe e Ernest Hemingway. Os dois famosos escritores surgem em alguns capítulos no meio do romance para conversar, ironicamente, depois de mortos, sobre a fama e a imortalidade que envaidece, mas incomoda. As questões de imortalidade se tornam ainda mais contrastantes quando se pensa em autores famosos em oposição à Agnès, que teve uma vida absolutamente convencional e anônima. Mas o conceito é pertinente, porque uma dicotomia de vida-morte surge no romance do começo ao fim. Alguns personagens morrem - e, às vezes, a morte é anunciada logo no início -  como no caso de Agnès, que morre em um acidente de carro quando tenta evitar um estranho suicídio.


Ainda mais interessante é que no livro, o autor se transforma em personagem e passa a interagir com algum deles em determinados momentos. Os personagens surgem na vida do narrador-escritor enquanto ele escreve o livro dentro do romance. Isso faz com que A imortalidade seja um romance dentro de um romance.

Assim como os outros romances de Milan Kudera, esse livro se dispõe a muita filosofia e desdobramentos do tema central, neste caso, a imortalidade frente a personagens com uma vida comum. Eu realmente gostei da escrita pouco convencional e elaborada de Kundera e, ainda que A Insustentável Leveza do Ser continue a ser o romance mais arrebatador, achei A Imortalidade bastante relevante dentre sua obra.

Eu já havia dito na outra resenha, adorei esse tipo de edição em capa dura e fico muito feliz por ter mais um livro do escritor com essa edição. Espero que a Companhia das Letras decida reeditar outras obras do Kundera, especialmente A Insustentável Leveza do Ser, para fazer parte dessa coleção. Preciso muito reler esse romance!

Livro enviado através da parceria com a Companhia das Letras.
KUNDERA, Milan. (1990). A Imortalidade. Trad. Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Anna Lucia Moojen de Andrada. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. 408 p.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Nodame Cantabile


Aproveitei as minhas férias para assistir a um anime que gostei muito, chamado Nodame Cantabile (のだめカンタービ). Resolvi falar um pouco dele aqui porque sei que algumas pessoas que leem meu blog gostam muito de música e acho que isso pode interessar. Ao contrário do que muitos imaginam, no Japão os desenhos possuem gêneros e são recomendados para diversas idades, não apenas para crianças. Nodame Cantabile se originou em um mangá de Tomoko Ninomiya voltado para o público adulto feminino (女性 "josei") e fala sobre a carreira profissional de diversos músicos; uma comédia musical.

Shinichi Chiaki é um estudante de piano da Universidade de Música Momogaoka, no Japão. Apesar de ser extremamente dedicado e talentoso, não pode sair do país para se aperfeiçoar. Seu sonho é se tornar um maestro de uma orquestra e prosseguir seus estudos com o famoso regente europeu Sebastiano Vieira, porém, toda a sua futura carreira é ameaçada por causa de seu temor de avião e navio, fazendo-o ficar estagnado no Japão. É assim que ele conhece Megumi Noda (Nodame), uma caloura de piano considerada uma aluna mediana e sem objetivos grandes em relação à música, pois deseja tornar-se professora do primário. Ele despreza o jeito displicente da moça tocar piano, fazendo recomposições e jamais se atendo à partitura, mas ele acaba se encantando pela sua musicalidade. Nodame se apaixona por Chiaki e ele acaba se encantando por sua personalidade desordenada, mas criativa. A relação dos dois faz com que um ajude o outro a alcançar objetivos maiores em relação à música e realizarem seus sonhos.


O anime se passa entre orquestras, competições e aulas de música. Chiaki conhece Stresemann, um famoso maestro alemão que é concorrente de Vieira, e acaba se tornando seu pupilo. Aos poucos, a carreira de Chiaki começa a se desenvolver e ele passa a não ser apenas um pianista (e violinista) talentoso, mas também um maestro em pequenas orquestras. 

Nodame Cantabile conta com mais duas temporadas em que as personagens vão a Paris estudar em um conservatório de música. Chamadas de Nodame Cantabile Paris-Hen e Nodame Cantabile Finale Além disso, a história de Nodame Cantabile virou um dorama, tipo de série de TV com atores. Ainda não terminei de assistir ao dorama, mas estou achando a sua comédia um pouco desmedida demais... 



Voltando ao anime, não preciso dizer que os principais atrativos dele são a trilha sonora e a história que envolve peças clássicas. A cada episódio, obras de compositores famosos são apresentadas e fazem parte do enredo, assim, sabemos de suas dificuldades, de sua história de composição e de diversas outras informações interessantes na perspectiva do estudante. Para os entusiastas de música, esse é o anime ideal para acompanhar suas obras favoritas. Fazem parte dela, Mozart, Bach, Rachmaninoff, Debussy, Ravel, Chopin... e tantos outros compositores famosos! 

Um dos aspectos que mais admirei em Nodame Cantabile é que as obras foram realmente pesquisadas e feitas para um público que conhece e gosta de música erudita. Um dos exemplos disso: os espectadores mais atentos devem ter percebido que a música de abertura de Nodame Cantabile Paris-Hen é baseada no tema do terceiro movimento "Allegro Scherzando" do Concerto nº2 para piano de Rachmaninoff:


É claro que se trata de uma homenagem, não de uma cópia, especialmente porque o Concerto nº2 para piano de Rachmaninoff aparece na primeira temporada como uma parte importante do enredo. Na abertura, disfarçadamente, deleita os fãs!

Caso estejam curiosos, é possível assistir ao anime online e com legendas em diversos sites na internet, basta procurarem pelo título. São quase cinquenta episódios, mas agora que acabou estou sentindo muita falta! 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Resenha: O estrangeiro em quadrinhos


O estrangeiro em quadrinhos é uma adaptação da clássica e muito conhecida obra do autor argelino, Albert Camus. Adaptado pelo artista também argelino, Jacques Ferrandez. É uma graphic novel bastante fiel ao romance de Camus, belamente ilustrada em aquarela. Trata-se da conhecida história de Mersault, que logo depois de perder a mãe, envolve-se em uma briga com árabes e acaba sendo encarcerado por assassinar um deles na praia.

O romance abrange o tema do absurdo, e mostra a falta de sentido na vida. O protagonista Mersault é um homem desinteressado que perde a mãe e é culpado pela vizinhança por tê-la colocado em um asilo. Logo após o velório, reencontra Marie, sua namorada, e os dois vão à praia, ao cinema e ele mantém um comportamento que não condiz com alguém que acabou de perder a mãe, pois ele parece não entender o significado disso. Nesse sentido, Mersault é bem sincero e se recusa a mentir ou fazer parecer aos outros uma sensibilidade que não possui, simplesmente porque fica perplexo com o absurdo existencial. 

O grande momento do romance acontece na praia, sob o sol escaldante da Argélia. Mersault envolve-se em uma briga de seu vizinho Raymond com árabes. Ele não possuía absolutamente nada contra o bando, mas em um certo momento, o Sol da Argélia teve um papel decisivo sobre a mente dele e ele acabou baleando várias vezes um árabe que tentava atacá-lo. A cena em si é um absurdo, pois ele mata um homem em uma briga que não era sua e sem muita razão. O Sol, nesse momento, torna-se uma das personagens do romance, pois é ele que desencadeia toda a tragédia que acontece a partir desse momento. 


A partir de então, começam-se os absurdos institucionais. Mersault é condenado por assassinato a sangue frio de um árabe. Em seu julgamento, em vez de se discutir o crime, apenas os pormenores de sua vida pessoal são discutidos. Aquilo que comove a justiça e convence a população da atrocidade de seu crime não foi o tiro, mas o fato de ser insensível à morte da mãe, de ter ido à praia e namorado após sua morte e ter inescrupulosamente internado-a em um asilo. Além disso, o fato de não se inclinar a um deus, ou ao menos fingir acreditar. 

Para o leitor, a condenação de Mersault é revoltante, porque o autor faz com que ele tenha uma punição muito maior que deveria por motivos absurdos. O livro é uma denúncia à falsidade da sociedade e às regras morais que são esvaziadas de sentido. Todos aqueles que acompanham as notícias de crimes irão reconhecer os fatos do livro como espelho da realidade e da manipulação da justiça e da mídia. Como exemplo, eu posso apontar os assassinos que passam a ser considerados bonzinhos após começarem a pregar em alguma religião, ou então aquele réu que passa a ser metralhado pela mídia que o acusa de fatos que vão muito além do crime pelo qual está sendo julgado. 


Jacques Ferrandes, assim como Albert Camus, também nasceu na Argélia. Talvez seja por isso que ele conseguiu captar tão bem esse romance solar de Camus. Além das paisagens e do local parecerem bem verossímeis com os do livro, a cena em que o Sol aquece e perturba Mersault, o fazendo atirar várias vezes no árabe é muito realista e convincente.

A adaptação de livros para quadrinhos deve ser mais do que apenas um "facilitador" da leitura - geralmente, obrigatória - de um clássico, mas uma releitura e o novo olhar e um artista sobre uma obra literária. Nesse sentido, O estrangeiro desenhado por Jacques Ferrandez atende à minha expectativa e mostra uma visão que me fez ter um contato diferente com o clássico de língua francesa tão conhecido e relido, O estrangeiro de Camus.

Livro enviado pela Companhia das Letras:
FERRANDEZ, Jacques. O estrangeiro, baseado na obra de Albert Camus. Trad. Carol Bensimon. São Paulo: Quadrinhos na Cia., 2014. pp.144.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Festa do livro da USP, 2014


Em dezembro de 2014 aconteceu mais uma Festa do Livro da USP. Eu frequento esse evento todos os anos, desde 2005, ano em que comecei minha graduação. Em 2013, eu fiz um post sobre os livros que comprei e hoje eu venho mostrar os livros que comprei em dezembro e que serão minha meta de leitura de 2015. Pretendo ler todos os livros que comprei ao longo do ano e evitar comprar livros sem ter lido esses primeiro.. sei que é difícil, mas estou tentando me controlar um pouquinho. 

Como vocês podem ver na foto acima, eu comprei os lindos clássicos da editora Zahar, em tamanho normal e capa dura. Os livros são lindos e as lombadas são maravilhosas. Eu ainda estou em dúvida quanto à tradução, especialmente do livro do Teatro Grego, mas preciso ler para ver o que eu acho. São eles: 

1. Alice, de Lewis Carroll;
2. Contos de Fadas, vários autores;
3. O mágico de Oz, de L. Frank Baum;
4. Peter Pan, de J.M. Barrie;
5. O melhor do teatro grego, de Sófocles, Esquilo, Eurípides e Aristófanes;


2015 também vai ser o ano de ler Valter Hugo Mãe. Eu assisti a uma entrevista com o escritor e li um pouco do que ele escreve, isso me deu uma vontade imensa de ler seus livros. Eu adoro literatura portuguesa e tenho certeza que vou gostar de lê-lo. Eu comprei todos os livros que encontrei dele na CosacNaify:
6. O filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe;
7. A máquina de fazer espanhóis, idem;
8. A desumanização, idem;


Além disso, comprei diversos livros de literatura de várias editoras, como Companhia das Letras, Ed. 34, e Cosac Naify. Eu já li dois desses livros, Alta Fidelidade e As flores de As flores do mal de Baudelaire, mas o restante deve ser o que guiará minhas leituras deste ano. No momento, estou passando minhas férias lendo o espetacular Oblómov, que conta a história de um homem muito pacato e preguiçoso. Fiquei muito feliz por conseguir encontrar essa edição linda de Lolita da Alfaguara (agora Cia. das Letras) e de finalmente comprar para ler Os anos de Aprendizado de Wilhelm Meister, que foi o romance que deu origem ao gênero de "romance de formação", como vocês podem ver aqui. E olhem a edição especial de Laranja Mecânica! Lindíssima por dentro e por fora!

9. Alta fidelidade, de Nick Hornby;
10. Lolita, de Vladmir Nabokov;
11. Oblómov, de Ivan Gontcharóv;
12. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess;
13. Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas;
14. Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister, de Johann Wolfgang von Goethe;
15. As flores das Flores do Mal de Baudelaire, traduzido por Guilherme de Almeida;


Por último, quero mostrar meus livros de teoria literária e de filosofia que comprei para meu auxiliar nas leituras e análises que faço. Eu já li o ABC da Literatura, de Ezra Pound, e trata-se de um compêndio sobre o essencial que se deve ler da poesia mundial para se tornar um escritor. Além disso, comprei finalmente o livro A literatura portuguesa, de Massaud Moisés, que é um excelente livro de referência para toda a história da literatura de Portugal. Eu costumava sempre consultar esse livro na biblioteca e fazia muita falta ter uma cópia dele aqui em casa. E, finalmente, Metafísica do Belo, que é um livro de Schopenhauer que eu comprei para entender melhor o espírito do decadentismo do final do século XIX e sua relação com o belo e a arte (como falei no post sobre Às avessas, de Huysmans).

16. Abc da literatura, de Ezra Pound;
17. Metafísica do Belo, de Arthur Schopenhauer;
18. A literatura portuguesa, de Massaud Moisés.

Esses foram os livros que comprei e devem ser lidos ao longo deste ano! 18 no total, um pouquinho a mais do que no ano passado, mas acho que fui muito contida e acabei não comprando vários outros porque alguns dos livros que estavam na minha lista já tinham esgotado. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Leituras que fiz em 2014


Quando se trata de leitura, convivo com uma certa contradição dentro de mim: por um lado, quero ler, aproveitar e degustar cada livro para nunca o esquecer; por outro, eu quero ler como se não houvesse amanhã com medo de não conseguir dar conta de todos os livros que pretendo ainda ler e reler. Em 2014 eu li muitos livros, mas não tantos a ponto de não conseguir refletir sobre cada um deles e conseguir digeri-los.

No ano passado eu criei uma pequena tag para organizar as minhas leituras do ano que passou. Esse ano, decidi responder às mesmas perguntas referentes a tudo o que li no ano passado e dividir essa minha experiência de leitura com vocês:

1. O melhor livro do ano de 2014:
Eu comecei o ano de 2014 terminando de ler os dois últimos livros de Em Busca do Tempo Perdido. O último livro da série, chamado de O tempo reencontrado, foi o meu livro favorito do ano. Vocês sabem como Em busca do tempo perdido é importante para mim e falei um pouco sobre os livros aqui. Além desse, eu também adorei ter lido Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

2. O livro que mais surpreendeu durante a leitura:
O livro de contos O Aleph, de Jorge Luís Borges. A surpresa aconteceu porque eu nunca havia lido nada do autor e encontrei nele um mundo mágico com diversas referências mitológicas que significaram muito para mim. Eu chorei lendo e relendo alguns contos desse livro. Eu destaco os contos "O imortal" e "A casa de Astérion".
Também me surpreendi com o livro A última névoa de Maria Luisa Bombal (resenha aqui), e Teoria Geral do Esquecimento, de José Eduardo Agualusa.

3. O pior livro lido em 2014:
Eu tive sorte e não li nenhum livro extremamente ruim em 2014. Apenas achei um pouco ruim a produção de contos de Florbela Espanca, que é minha poeta favorita, em Afinado Desconcerto.

4. Houve alguma decepção literária?
O amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence. Eu comprei uma linda edição porque eu tinha ouvido falar muito bem desse livro, mas eu comecei a lê-lo e fiquei chocada com a quantidade de preconceito envolvida na escrita da história... e não consegui superar. Cheguei ao fim, mas não imaginava que um livro tão preconceituoso e com uma visão tão mesquinha fizesse tanto sucesso.

5. Quantos foram os livros lidos durante o ano?
Eu li 47 livros por lazer (sem contar os da escola) e alguns quadrinhos. Exatamente a mesma quantidade que li no ano passado! 

6. Quais foram os gêneros literários lidos ao longo do ano?
Eu li muitíssimos romances, contos e novelas; alguns ensaios e textos críticos; poucos poemas... e nenhum teatro! É uma pena, porque eu adoro ler teatro e acho que tenho que enfatizar mais esse gênero no próximo ano.

7. Alcançou a meta estabelecida de leitura para 2014?
Eu tinha feito minha meta aqui e acho que me saí bem. Eu consegui ler a maioria dos livros de literatura que comprei na festa do livro, mas também comprei e li muitos outros que não estavam na lista. Li mais alguns livros de Clarice Lispector, mas eu não consegui ler Lígia Fagundes Telles, exceto por alguns contos famosos... eu comprei um livro dela, mas ele ainda não me chamou. 

8. Escritor(a) mais lido durante o ano:
O escritor dos livros que mais li foi Jorge Luís Borges. Eu pretendo continuar a ler seus livros, porque sua escrita me entusiasmou como poucos escritores já fizeram.

9. Planos de leitura para 2015:
Eu pretendo seguir no mesmo ritmo de leitura e ler muitos livros. Eu também pretendo resenhar os livros que mais gostar e publicar aqui no blog. Eu pretendo ler os livros que comprei em dezembro na Festa do Livro da USP (ainda vou fazer uma postagem sobre isso!). Além disso, eu quero ler alguns clássicos publicados pela Penguin - clothbound classics. Meu foco tem sido a literatura do final do século XIX e começo do século XX, então pesquisarei mais escritores dessa época também! 

Como foi o ano de vocês em relação aos livros e à literatura? Algumas dicas e sugestões? Vocês podem acompanhar minha leitura detalhada através do meu perfil no Skoob

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Um ano novo começou!


Esvaziei a mente no mar e preenchi meus pensamentos apenas com sensações e luzes; com as tais impressões que sustentam alguém que prefere viver nas nuvens. Metas estragam meus dias e criam expectativas, portanto, para o meu bem eu decidi olhar a manhã e prosseguir. Eu não tenho grandes anseios para esse ano e ainda assim há algo dentro de mim que sabe que é dessa forma que as melhores coisas acontecem.

Desejo a todos um ótimo 2015!!! 
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