sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Resenha: O Pintassilgo, de Donna Tartt



Escolhi para este mês, através da parceria com a Companhia das Letras, O Pintassilgo de Donna Tartt. Justifico minha escolha porque tenho visto certa movimentação no exterior sobre o livro e senti curiosidade para lê-lo por ser vencedor do prêmio Pulitzer. Também me interessei pelo livro por saber se tratar de uma história sobre obras de arte e lojas de antiguidade. E isso era tudo o que sabia previamente sobre ele!

O Pintassilgo é um romance extenso - com mais de 700 páginas -, que conta a história de Theodore Decker, um rapaz que rememora o acontecimento que mudou sua vida: o atentado ao museu no qual sua mãe e ele foram vítimas, quando era um garoto de 13 anos. Esse atentado causou a morte de sua mãe, mas ele escapou com vida e com um quadro de valor inestimável nas mãos. O título do livro se dá por causa da obra roubada, "O pintassilgo", que a autora justifica sua importância por ser um pássaro pintado por Carel Fabritius, um artista holandês predecessor de Vermeer. Sem sua mãe, Theodore se vê desamparado e não encontra mais um lar. Passa um período na casa de uma família rica, outro período com seu pai bêbado e viciado em jogo, que apenas usa o filho com a intensão de roubar o dinheiro de seu seguro. É com a perda da mãe e com o desafeto do pai que Theo conhece seu melhor amigo, Boris, um ucraniano vítima de violência doméstica. A adolescência dos dois é marcada pelo uso de drogas e pela falta de regras.

Após a morte do pai, volta para Nova Iorque e vive com Hobie, um reparador de antiguidades e especialista em reprodução de peças de época. É com ele que aprende a arte refinada dos objetos antigos e restaurações. Assim, Theodore descobre seu talento como vendedor de antiguidades. Durante todo esse tempo, Theo esconde o quadro roubado e isso o angustiava. A princípio, pensava em devolver o quadro para as autoridades do museu, mas temia ser culpado pelo roubo e encaminhado a um reformatório ou uma família adotiva. Quando adulto, já não pensava mais em se livrar do quadro, pois era esse segredo que o tornava especial e diferente dos demais. Ainda assim, ele era perseguido e consumido por esse segredo: a presença do Pintassilgo embrulhado em uma fronha. Além disso, a história ainda possui muitas reviravoltas, com muita ação no final.


O livro tem propósito para ser tão extenso, pois as suas muitas páginas podem ser explicadas por ser facilmente encaixado como um Romance de Formação, ou seja, o gênero que conta a formação do herói (anti-herói). Assim, a vida de Theodore Decker é narrada a partir do estopim inicial - o atentado ao museu  - que desencadeia no narrador toda uma série de marcas e traumas que o levam a se tornar um adulto traumatizado, viciado em drogas e com problemas de relacionamento.

Theo é um narrador em primeira pessoa. E apesar de ter sua vida bastante problemática, essa faceta do personagem não transparece na narração. Isso acaba sendo muito frustrante para leitores que esperam algo mais do livro, pois não existe um grande refinamento na linguagem ou no modo de narrar. Entretanto, chamo a atenção para a boa escolha da escritora no ponto de partida da narrativa do romance, pois ele começa em um momento importante do desfecho,  tornando a narração cíclica, que é exatamente o mesmo artifício usado por Proust em seu romance de formação Em Busca do Tempo Perdido (resenha aqui).

Outra qualidade do romance de Tartt é que ela preza pelo ideal anti-maniqueísta, em que as pessoas não são boas ou más, e, enquanto o herói tem uma vida desregrada e viciada, a autora aborda as suas falhas de caráter, com vendas de objetos falsificados por preços exorbitantes.  Por um lado, ele é bom e se importa com o que suas atitudes podem vir a causar nas outras pessoas, mas isso não o impede a ter atitudes destrutivas.

A importância principal do enredo do livro é o personagem que se sente perseguido pelo segredo do quadro roubado e da perda da mãe. Sem dúvida, é fácil de perceber que Donna Tartt foi ambiciosa com esse seu longo romance e deu a ele uma certa intensão literária, com inspirações em Proust e Dostoiévski, ambos autores citados em O Pintassilgo. Contudo, senti falta de uma maior reflexão sobre a arte e do aprofundamento de aspectos psicológicos do narrador-protagonista, fato que só acontece no final da obra e fez-me desejar ter sido assim ao longo de todo o livro.

TARTT, Donna. O Pintassilgo. Trad.: Sara Grunhagen. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. pp.728.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

"Primavera", a Sonata nº 5 de Beethoven


Não gostaria de deixar a minha estação favorita entrar sem algum tipo de comemoração pessoal. Recentemente, estava ouvindo a famosa sonata para violino nº5 de Ludwig Van Beethoven, conhecida como "Primavera", e pensei que seria muito apropriada para iniciar essa estação. 

A Sonata é um tipo de composição do Classicismo, composta geralmente para um instrumento. Beethoven(1770-1827) foi um compositor localizado entre o Classicismo e o Romantismo, então se inspirou muito em obras clássicas, como a de Mozart. Essa sonata que mostrei foi apresentada em 1801 e já faz parte do começo de suas obras com influências românticas. Ele se apropriou das formas anteriores e modificou-as. Uma das modificações foi a de aumentar a importância do segundo instrumento, no caso, o piano. Outra inovação foi a inserção do Scherzo (18:10min.) no lugar do Minueto clássico, tornando a peça mais solta, ágil e brincalhona. 

Sonata para violino nº5 em fá menor, op.24 é composta pelos seguintes movimentos:
1. Allegro
2. Adagio molto expressivo
3. Scherzo: allegro molto
4. Rondo: allegro ma non troppo

Curiosamente, o nome "Primavera" foi dado após a morte do compositor, por volta da segunda metade do século XIX. Em suma, o famoso nome da sonata foi dado - provavelmente - pelo fato de ela ter uma atmosfera alegre, pois nada indica que Beethoven tenha se inspirado na estação das flores para a composição. 

Isso não impede que essa música me anime no início dessa estação...!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Resenha: Finn's Hotel, James Joyce


Meu primeiro contato com James Joyce foi muito bom, com o romance O retrato do artista quando jovem. Foi difícil, sim, mas fiquei encantada com a epifania de beleza na cena da praia. Ainda hoje é um capítulo muito inspirador para mim. Além disso, seu livro de contos, Dublinenses, que li para entender os temas que se repetiam no outro livro. Agora, escolhi resenhar Finn's Hotel, um pequeno livro publicado postumamente, como um desafio pessoal. Desde já, confesso que foi difícil!

Finn's Hotel foi um livro escrito em 1923, após Ulisses e antes de Finnegans Wake. Apenas observando o nome, é possível perceber que foi um escrito que inspirou esse último, que é a obra mais extensa e de mais difícil compreensão de Joyce. Esse pequeno livro é um conjunto de breves episódios sobre lendas e histórias irlandesas, como Tristão e Isolda. Cada narrativa é curta, mas é um pequeno épico, por tratar de um fato grandioso. O foco de todas as narrativas decai sobre a Irlanda, terra natal de Joyce, que parece tentar buscar uma identidade nacional. Por isso, para aqueles que não conheciam muito da cultura irlandesa, eu recomendo algum tipo de pesquisa prévia. Posso comparar essas narrativas com  uma obra modernista brasileira, como Macunaíma, de Mário de Andrade, que é tão difícil para um estrangeiro compreender quanto Finn's Hotel é para aqueles que não são irlandeses. 


Outra dificuldade de Finn's Hotel é a linguagem: tão rebuscada a ponto de pensar ser outro idioma, e ao mesmo tempo tão baixa; além disso, repleta de neologismos interessantes, como "heptacromático seticolóreo vermelhanjerelivérdigo". Apesar de ser de difícil leitura, é ainda compreensível. Eu recomendo a releitura de cada capítulo, inclusive em voz alta. Assim que passa o obstáculo da leitura, percebi que a linguagem  difícil eleva fatos bastante cômicos ou banais, como o banho de assento de São Kevin de Glendalough, ou o kilt "cor de férvido espinafre" de Rei Leary. 

A linguagem nesse livro de James Joyce é um obstáculo que é possível de superar. Mais difícil ainda é a compreensão da cultura irlandesa. Como as lendas são curtas, é possível consultar uma a uma e conhecer mais detalhes sobre a cultura no prefácio da obra. Após o texto, o livro da Companhia das Letras conta também com mais um texto não-publicado de Joyce, chamado Giacomo Joyce, que conta a história de um professor que se apaixona por sua aluna em Trieste. Esse livro parece ser para Ulisses, o mesmo que Finn's Hotel é para Finnegans Wake

Admiro a obra joyciana, mas eu ainda sinto uma certa relutância para ler os muitos volumes de Finnegans Wake, que é experimental e exige tanto do leitor. Além da difícil compreensão, acho que muito se perde na tradução desse tipo de literatura. A propósito, o mesmo perigo acontece em Finn's Hotel e teria sido tão mais interessante se a editora tivesse publicado uma versão bilíngue para que pudesse consultar os detalhes da língua.

JOYCE, James. Finn's Hotel. Trad: Caetano W. Galindo. São Paulo: Companhia das Letras. 2014. pp. 156.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"Fanatismo", de Florbela Espanca

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do Teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Livro de Sóror Saudade (1923) - Domínio público 


***
Cartão poético feito por Tertúlia Artesanato Cultural, comprado na Bienal do Livro de São Paulo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Bienal do Livro 2014


Na última sexta-feira, eu visitei a Bienal do Livro de São Paulo, que aconteceu nas últimas semanas, no Anhembi. Tive a sorte de conseguir ir durante a semana, porque o evento não estava tão cheio e consegui aproveitar bastante. Assisti a uma apresentação de dança, olhei detalhadamente a maioria das editoras que estavam por lá, assisti a uma conversa sobre Jazz e também a umas declamações de poema e música.

Imaginei que não fosse comprar nenhum livro, por causa dos altos preços das editoras; por isso, não fui preparada e não levei nenhuma sacola. Minha surpresa foi que algumas distribuidoras de livros estavam com preços muito bons em livros que eu já estava desejando há muito tempo. Confesso que encontrei diversos livros ótimos por 5 reais! 


Ainda que tenha conseguido me divertir bastante, fiquei um pouco decepcionada com o evento quando se trata de convidados. Eu gostaria de conhecer autores, pegar autógrafos e assistir a mais palestras sobre literatura, mas esse não parecia ser o grande foco do evento. É nítido que livros e literatura não são equivalentes, mas eu senti que o evento procurou apenas agradar ao público que possui um contato novo com a literatura, sejam adolescentes ou adultos que começaram a ler agora e desprezou quase que completamente aqueles leitores assíduos e estudiosos da área. Espero que, da próxima vez, haja o interesse em convidar mais autores contemporâneos bons. 

O melhor do meu passeio à Bienal do Livro foi o espetáculo de dança Clariarce, de Jussara Miller, que é inspirado no livro Água Viva de Clarice Lispector, que é seu famoso livro de fluxo de consciência. Como vocês saber, eu sou uma leitora de Clarice e percebi tanto de sua obra nessa apresentação: a epifania causada pela flor que é ingerida, o branco e o it, os insetos... Achei intimista e tão belo que sai do espetáculo aos prantos. 


Encontrei uma síntese dessa apresentação de dança para que vocês possam sentir um pouquinho do que eu senti na hora:


Esse solo de dança na Bienal me ajudou a fazer uma coisa muito importante, que é viver a literatura, ao invés apenas de consumir.

domingo, 24 de agosto de 2014

Resenha: A Festa da Insignificância, de Milan Kundera


Como a maioria das pessoas, confesso que escolhi resenhar esse livro da Companhia das Letras por ter amado demais o livro mais famoso de Milan Kundera, A insustentável leveza do ser. Assim como esse, o novo livro do autor checo, chamado de A festa da insignificância, tem uma excelente escolha de título. É curioso, mas eu acho que um título bom ajuda muito para escolher uma leitura ou avaliar um romance e eu nunca vi títulos melhores que esses de Kundera. 

O livro se passa em Paris e conta a história de um grupo de amigos: Alain, Ramon, Calibã e Charles. Os personagens são apresentados com seus problemas, individualmente, e logo depois percebemos que todos eles fazem parte de um mesmo grupo. Alain é apresentado como um homem que é assombrado pela imagem da mãe, que o abandonou quando pequeno. Ele conversa com ela de maneira imaginaria e imagina como ela deve ter tentado se suicidar para se livrar do feto. Para ele, o mundo se resume ao umbigo, que explicaria a falta de sentido humana.  Ramon é um despreocupado que ensaia todos os dias para visitar uma exposição do Chagall, mas que sempre se desmotiva por causa da fila. Ele é convidado por D'Argelo para ir à sua festa de aniversário e apenas decide ir por compaixão, porque acredita que seu amigo está a beira da morte. Calibã é um ator frustrado que se passa por um garçon paquistanês, inventando sua própria língua para que as pessoas o achem mais intersessante do que é. E Charles está obcecado com um livro sobre a vida de Stalin. 

Todos os personagens, a exceção de Alain, se preparam para ir à festa de D'Argelo e existe um grande desânimo em relação a essa noite. Nesse sentido, Kundera mostra que não apenas essa festa de aniversário de D'Argelo é insignificante, como também a festa como metáfora da vida. A vida se resume ao umbigo, pois é um detalhe que torna todos os seres humanos iguais, remete às origens e, ainda assim, é absolutamente inútil.

A festa da insignificância é uma apologia à indiferença. Kundera se desfaz em sarcasmo para denunciar uma hipocrisia social, por exemplo, a elevação da tristeza, da solidão e da falsa doença para causar simpatia ou compaixão. E, ainda assim, tudo isso é vão. Por isso, o único personagem que passa pelo livro e é visto como bem sucedido é Quaquelique, que me remete ao homem "qualquer", que consegue as coisas justamente por não chamar atenção ou expressar opinião relevante. Ele é o medíocre que vence na vida por evitar conflitos e se manter no senso comum. Sendo assim, o triste sentido da vida mostrado pelo autor é que ela é totalmente insignificante:

"A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. E ela está conosco em toda parte e sempre." pp.132

Achei A festa da insignificância bem diferente de A insustentável leveza do ser, o único livro que já tinha lido desse autor. Ele é tão duro quanto, mas muito mais sarcástico. É um livro bastante curto e a leitura flui rápido. Contudo, é o tipo de livro que faz com que tenhamos que pensar muito sobre ele, ou corremos o risco de fechá-lo sem compreender. 

Quanto ao objeto em si, a edição da Companhia das Letras ficou maravilhosa. O livro é em capa dura e o livro foi impresso em papel pólen, que é aquele papel amarelado e com textura agradável. 

Kundera, Milan. A festa da Insignificância. Trad: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. São Paulo: Companhia das Letras. 2014. 134p.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Tag: O quanto eu me dedico


Bom dia, pessoal! Eu fui indicada pela Doce Madrepérola para responder a uma tag sobre objetivos e sonhos. Confesso que sou a pessoa menos indicada para responder a esse tipo de pergunta, porque eu mesma tenho muita dificuldade em estabelecer metas e vejo o mundo de uma forma muito diferente.Contudo, vou tentar responder às perguntas para que vocês conheçam um pouco sobre mim:

1. Quantos sonhos você já realizou? Quais dos seus objetivos já foram alcançados?
Não sei dizer exatamente, porque eu não me proponho objetivos para realizar. Entretanto, muitas coisas boas aconteceram na minha vida, conhecer resquícios de outras civilizações, entrar na faculdade que sonhava, encontrar um companheiro perfeito para mim, fazer amizades maravilhosas...

2. Que tipo de profissão a atrai? O que você quer ser quando crescer? O que tem estudado ou pretende estudar?
Eu já cresci, mas ainda quero realizar e estudar tanto! Eu gosto de ser professora e pretendo crescer dentro dessa profissão que é tão difícil e que exige tanto de cada um. Eu pretendo estudar mais sobre crítica literária e cinema.

3. Quais lugares você sonha em visitar?
Meu sonho é conhecer o Japão, a França e a ilha de Creta, por causa do palácio de Knossos.

4. Você está feliz com sua aparência? Gostaria de mudar algo em você?
Frequentemente, a imagem que vejo no espelho não corresponde com o que penso sobre mim e isso me frustra, mas não mudaria muita coisa.

5. Você possui hobbies atualmente? Pretende ter algum outro?
Meus principais hobbies são os livros e os filmes. Porém, como são muito intelectuais, às vezes fico muito cansada. Por isso, tenho voltado a colecionar e cuidar das minhas bonecas.

6. Você estuda ou pretende estudar alguma língua estrangeira?
Eu estudei japonês por muitos anos e parei, mas pretendo voltar a estudar. Além disso, preciso estudar francês com certa urgência.

7. Para o futuro, pensa em constituir uma família?
Penso, nem que seja uma família de gatos e cachorros. Sinto-me muito sozinha e, se puder, gostaria de ter uma família grande.

8. Existe algum bem material que você deseja possuir?
Uma casa bonita, com uma bela cozinha e uma grande biblioteca. Se possível, com espaço para decorar com objetos antigos também.

9. O que você define por felicidade e o que te faz feliz?
Ter bons e simples momentos com as pessoas que mais gosto.

10. Cite uma virtude que você gostaria de possuir:
Força e determinação.

Só não sei se consigo responder à pergunta do título da tag, porque não sei dizer se me dedico como deveria. Eu simplesmente vou sentindo a vida e fazendo as coisas que mais gosto e que gostaria de fazer... talvez, fazer metas mais objetivas me ajudaria, mas isso está muito fora da minha personalidade. De qualquer forma, eu sou muito grata pelas coisas que tenho conquistado aos pouquinhos. Talvez eu esteja muito aquém das pessoas da minha idade, mas eu sigo meu próprio ritmo. 

Não vou indicar ninguém específico para responder, mas se você se interessar, responda e me avise nos comentários para eu poder ler as respostas! 


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